Considerado por alguns uma versão revigorada do tango tradicional, o Tango Fusion (ou Tango Eletrônico) vem ganhando adeptos em todo o mundo e dividindo opiniões
Por Maysa Rodrigues
O tradicional ritmo argentino que recentemente misturou-se a elementos da música eletrônica tem animado as pistas de dança ao redor do mundo. Com batidas marcantes e ritmo intenso, o tango eletrônico é avaliado por alguns como forte candidato a posição de destaque no cenário da música contemporânea.
Considerado um dos precursores da novidade, o grupo Gotan Project, que esteve no Brasil no ano passado, vendeu em 2001 mais de um milhão de cópias em todo mundo de seu álbum La Revancha de Tango.
Ainda na mesma proposta de fundir o ritmo original com a música eletrônica, amontoam nomes de grupos como Bojofondo, Narcotango Otros Aires, Tanghetto e Tango Craser.
O principio
O Tango surgiu em meados do século XIX, nos bairros mais pobres de Buenos Aires. Suas letras e melodias foram marcadas pelo lirismo e pela melancolia dos desencontros e amores não correspondidos.
O ritmo obteve prestígio e popularidade mundial principalmente na voz de Carlos Gardel, que morreu em acidente aéreo em 1935.
Na década de 70, o Tango ganhou sofisticação técnica com Astor Piazzolla. O músico nascido em Mar Del Prata foi estudar na Europa e voltou a Argentina nos anos 50 com um novo Tango, repleto de inovações que aproximavam o ritmo de elementos jazzísticos. Sua música foi rejeitada pelo público e pelos artistas argentinos, mas Piazzolla fez enorme sucesso mundialmente, sendo considerado um dos maiores representantes do estilo musical.
As divergências
O recente movimento de eletronização do Tango equivale para muitos ao que Piazzolla fez com o ritmo nos anos 70: incorporar novos elementos e adequar o estilo as novas linguagens musicais. Domingos Antonio Ciarlariello, advogado de 68 anos e apreciador do ritmo a mais de 50 é partidário dessa opinião. “Este tipo de trabalho (Gotan Project) se assemelha ao que Astor Piazzolla fez com o Tango, mas, para mim, nem um dos dois reflete o ritmo original que eu conheço”, afirma defendendo a tradição de Carlos Gardel.
Sua filha, de 36 anos tem opinião divergente. “Sou grande fã de ambas as expressões do ritmo. A modernização do Tango eletrônico não tira espaço do tradicional”, explica. “Além disso, a atualização da música eletrônica estimula as novas gerações a se interessar pelo Tango original”, completa.