Tropicália ou Panis et Circences
O ano é 1968. O cenário cultural e político são de uma efervescência constante. O espírito libertário promete abalar velhos conceitos e as trincheiras da resistência começam, inevitavelmente, a surgir diante de um regime autoritário.
O movimento tropicalista mostrava sua face no III Festival de MPB da TV Record, com a participação das músicas “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, acompanhado dos Beat Boys e “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, acompanhada de Os Mutantes.
Porém, foi no álbum coletivo “Tropicália ou Panis Et Circensis”, lançado em julho de 68, que o manifesto se firmou e o movimento se mostrou a um país no mínimo desacostumado com tais inovações na música brasileira.
O maestro Rogério Duprat, arranjador de maior parte das músicas tropicalistas, afirmou em entrevista a Ana de Oliveira: “A Tropicália foi o único movimento que fez algo difícil de fazer no mundo, e com originalidade”.
Entre o bolero e o Rock, o samba e salsa, as letras e arranjos impressionaram pela mistura e pelo caráter supostamente descompromissado com as questões políticas.
A presença de Caetano, Gil, Gal, Tom Zé, Os Mutantes e Nara Leão, sob a batuta de Rogério Duprat, reafirmavam uma polêmica que opunha experimentalismo e engajamento, participação e alienação.
“Pretendiam ser uma esquerda radical, mas não eram radicais coisa nenhuma, porque na verdade defendiam valores ultrapassados”, disse Duprat sobre os contestadores do tropicalismo.