24 Abril 2008
MPB – Música, política e polêmicas
Posted by Gustavo Antonio under MPB | Etiquetas: conceito, MPB, polêmicas |Ninguém sabe ao certo quem inventou o termo MPB (sigla para Música Popular Brasileira), mas o fato é que esta denominação passa a ser usada no Brasil a partir da década de 1960 para nomear um certo estilo musical. Entretanto, mais do que um nome, esta sigla tornou-se um “entidade” cultural brasileira e, apesar das indefinições em torno do seu conceito, há um consenso de que possuía um forte caráter político, que, é verdade, se perdeu ao longo do tempo.
Em a Síncope das Idéias, Marcos Napolitano afirma que a Música Popular Brasileira (grifada com iniciais maiúsculas) surge como “um misto de agregado de gêneros musicais com instituição sociocultural” e tem origem nos músicos da Bossa Nova que não se limitavam as características do estilo. Junte-se a isso o engajamento político das músicas “emepebistas”, influenciadas e muitas vezes produzidas pelo CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE, que via na arte uma forma de conscientizar a população em um ambiente político hostil (estamos na década de 1960, época em que terá início a ditadura militar no país)
Praticada inicialmente e em grande escala no ambiente universitário, a MPB ganhará força com os grandes festivais musicais realizados pelas emissoras de TV - principalmente entre 1965 e 1968, época de afirmação do movimento - o que, segundo Napolitano, satisfazia de uma só vez os objetivos de “disseminar determinada ideologia nacionalista que pudesse ser assimilada por diversas classes sociais e realizar-se como produto de mercado”. Esta mesma observação, de acordo com o autor, mostra uma contradição na MPB, já que o projeto de afirmação nacional, modernização e desenvolvimento proposto por seus músicos dependia do capitalismo internacional, representado pelas gravadoras.
“MPB me parece ser um conceito datado. Trata-se de um tipo de canção surgida nos anos 60 que atuava quase como um partido político (assim como o MDB) de resistência às canções mais comprometidas com o mercado, como as da Jovem Guarda ou as do Tropicalismo, por exemplo”. Estas palavras do músico e professor do Departamento de Lingüística da USP, Luiz Tatit, demonstram uma das características da MPB: a oposição a outros estilos musicais dos anos 60.
A Jovem Guarda, comandada por Roberto Carlos, era vista como um movimento alienado, com temas fúteis como relacionamentos e carros, em contraposição ao engajamento político “emepebista” na tentativa de mudar a realidade. Já com o Tropicalismo, o problema se dava no que diz respeito à abertura às influências estrangeiras, uma vez que os seguidores de Caetano Veloso e Gilberto Gil utilizavam guitarras e outras inovações vindas do exterior, ferindo o nacionalismo pregado pela MPB.
Passados vários anos, a MPB perdeu muito de seu engajamento político e o que restou foi a parte estética do estilo. Assim ficam as perguntas: o que é a MPB hoje e quais as músicas podem adotar esta sigla?
Na verdade não há (aliás, como nunca houve) uma definição, bem como critérios objetivos para se estipular se um “som” pertence ou não à MPB. Isto pode ser bem visualizado quando uma música se enquadra em duas classificações de acordo com o cantor que a interpreta. Um exemplo disto é a canção É o amor!, que quando cantada pelos sertanejos Zezé Di Camargo e Luciano era considerada brega, mas, ao ser gravada por Maria Bethânia ganhou “ares” de MPB.
Dentro disto temos mais uma polêmica e duas opiniões: há quem considere como MPB toda música produzida no Brasil, enquanto outros defendem que só pertencem ao estilo canções feitas para um público mais sofisticado (urbano e de nível universitário).
Em entrevista à Rachel Loberto, do site Solcultura, o músico Augusto Silva expôs um destes pontos de vista. “MPB é toda manifestação popular que seja autenticamente brasileira ou, até mesmo, fruto das misturas culturais que a gente tem no Brasil”.
Na mesma entrevista, o professor de lingüística da USP, Eduardo Calbucci, contrariou esta tese. “Esse nome (MPB) implica, inevitavelmente, em juízo de valor. MPB é um tipo de música que pode ter ligação com os ritmos tradicionais, mas que é feita para um público mais exigente”.
Pelo visto as indefinições, discussões e polêmicas sobre o que é MPB parecem longe do fim, mas enquanto isso, ao menos, podemos desfrutar das músicas, independente de sua classificação.
25 Junho 2008 at 9:46 am
bom gostei desse site é bem interessante! só não gostei que a minha foto nu não está ai.